Como saber quanto vai sobrar no fim do mês
Aprenda a prever quanto vai sobrar no fim do mês usando a média dos últimos meses, separando gastos da rotina dos fora do padrão. Com exemplos em reais.
Chegar no dia 25 e descobrir que o dinheiro acabou é uma das situações mais comuns na vida financeira. A boa notícia é que dá para saber, com antecedência, quanto vai sobrar ou faltar. Não precisa de fórmula complicada. Precisa de três coisas: saber quanto entra, saber quanto costuma sair e separar o que é rotina do que é exceção.
Neste guia, você vai ver um método simples para fazer essa conta. Ele funciona com papel, com planilha ou com um aplicativo. O importante é entender a lógica.
Por que é tão difícil saber quanto vai sobrar?
Porque o dinheiro não sai de forma regular. Algumas contas chegam todo mês com o mesmo valor, como aluguel e internet. Outras variam, como mercado e transporte. E, de vez em quando, aparece algo fora do comum: o conserto do carro, um presente de casamento, uma consulta.
Quando você olha só para o saldo da conta, mistura tudo isso. O saldo de hoje não diz nada sobre o boleto que vence na semana que vem. Por isso, olhar o extrato no meio do mês costuma dar uma falsa sensação de folga.
A saída é olhar para trás para enxergar à frente. Seus últimos meses contam muito sobre o seu próximo mês.
Qual é o primeiro passo para prever o mês?
Reúna os lançamentos dos últimos três a seis meses. Quanto mais meses, mais confiável a média. Três meses já dão uma boa ideia. Seis meses deixam a previsão mais estável, porque diluem meses atípicos.
Você pode copiar os valores à mão do aplicativo do banco ou exportar o extrato em arquivo. Se não sabe como fazer isso, veja o passo a passo em como exportar o extrato do banco em OFX, CSV ou PDF.
Com os lançamentos em mãos, separe tudo em entradas e saídas. Entradas são salário, renda extra, reembolsos. Saídas são todos os gastos, do aluguel ao cafezinho.
Como separar gastos da rotina dos gastos fora do padrão?
Esse é o passo que mais faz diferença. Se você colocar o conserto do carro na média, ela vai ficar inflada. Se ignorar os gastos variáveis, ela vai ficar baixa demais.
Use esta regra prática:
- Gasto da rotina: se repete todo mês ou quase todo mês, mesmo que o valor mude. Exemplos: aluguel, condomínio, mercado, transporte, contas de luz e água, assinaturas, farmácia.
- Gasto fora do padrão: acontece de vez em quando e não dá para prever o mês exato. Exemplos: viagem, conserto, compra de um eletrodoméstico, multa, presente de valor alto.
O mesmo vale para as entradas. Salário é rotina. Um bônus, a venda de algo usado ou a restituição do imposto de renda são fora do padrão.
Os gastos fora do padrão não somem da sua vida. Eles só não devem entrar na média do mês típico. Mais adiante você vai ver como lidar com eles.
Como calcular a média mensal?
Some os gastos da rotina de cada mês e divida pelo número de meses. Faça o mesmo com as entradas da rotina. Veja um exemplo com três meses:
| Mês | Entradas da rotina | Gastos da rotina |
|---|---|---|
| Julho | R$ 5.200 | R$ 4.350 |
| Agosto | R$ 5.200 | R$ 4.120 |
| Setembro | R$ 5.200 | R$ 4.460 |
| Média | R$ 5.200 | R$ 4.310 |
Nesse exemplo, em um mês típico sobram R$ 890 (R$ 5.200 menos R$ 4.310). Esse é o seu ponto de partida. Não é uma promessa, é uma estimativa baseada no seu próprio comportamento.
Como fazer a previsão no meio do mês?
No meio do mês, parte do dinheiro já entrou e parte já saiu. A previsão para o fim do mês é simples:
- Veja quanto já entrou e quanto já saiu até hoje.
- Calcule quanto ainda falta entrar e sair, comparando com a média. Se a média de gastos é R$ 4.310 e você já gastou R$ 2.900, faltam cerca de R$ 1.410.
- Some o que já aconteceu com o que ainda deve acontecer.
Exemplo: até o dia 15 entraram R$ 5.200 e saíram R$ 2.900. A previsão de saídas que ainda faltam é R$ 1.410. Então o mês deve fechar com R$ 5.200 − R$ 2.900 − R$ 1.410 = R$ 890 de sobra.
Se no dia 15 você já tivesse gastado R$ 3.800, a conta mudaria. Ainda faltariam gastos típicos de, digamos, R$ 1.000, e a sobra cairia para R$ 400. Saber disso no dia 15, e não no dia 30, é o que permite ajustar a rota.
E como prever os próximos seis meses?
Com a média mensal, dá para projetar o futuro. Se sobram R$ 890 por mês, em seis meses você acumula cerca de R$ 5.340, sem contar rendimentos de investimentos.
Agora entra o papel dos gastos fora do padrão. Você sabe que em dezembro tem presentes e que em janeiro tem IPVA e material escolar. Esses gastos não entram na média, mas entram na previsão do mês em que vão acontecer. Assim, você enxerga com antecedência o mês que vai ficar apertado.
No FinancasIQ, essa previsão de seis meses é feita sozinha a partir dos seus lançamentos, e os gastos marcados como fora do padrão ficam de fora da média.
Quais erros mais atrapalham a previsão?
- Esquecer gastos anuais. IPVA, IPTU, seguro e anuidades não aparecem todo mês, mas aparecem todo ano. Divida o valor por 12 e trate como uma reserva mensal.
- Contar a fatura do cartão duas vezes. Se você lança as compras do cartão e também o pagamento da fatura, o mesmo gasto aparece duas vezes. Escolha um dos dois.
- Usar só um mês de histórico. Um mês pode ser atípico. Use pelo menos três.
- Tratar investimento como gasto. Dinheiro guardado não é despesa. Separe aplicações e resgates do orçamento do mês.
O que fazer se a previsão mostrar que vai faltar dinheiro?
Primeiro, não entre em pânico. A previsão serve exatamente para dar tempo de reagir. Algumas ações práticas:
- Revise os gastos variáveis do resto do mês, como delivery, lazer e compras por impulso.
- Adie gastos fora do padrão que não são urgentes.
- Veja se alguma assinatura pode ser pausada.
- Se a falta se repete todo mês, reveja a divisão do salário. A regra 50/30/20 é um bom ponto de partida.
Se a previsão mostra sobra, ótimo. Decida antes para onde ela vai. Uma boa prioridade é montar a reserva de emergência.
Resumo
Para saber quanto vai sobrar no fim do mês, junte de três a seis meses de lançamentos, separe os gastos da rotina dos fora do padrão e calcule a média. No meio do mês, some o que já aconteceu com o que ainda deve acontecer. Para os próximos meses, use a média e acrescente os gastos fora do padrão que você já sabe que virão. Com isso, você troca a surpresa do dia 30 por uma decisão tomada com antecedência.